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05/07/2006 23:46
Terapias psicológicas
As terapias do psiquismo se prolongam, às vezes, demasiadamente, para além do necessário, porque os pacientes não encontram forças espirituais necessárias para enfrentar as causas da própria instabilidade emocional. A pessoa não pode viver na dependência cega e intemperante de suas necessidades instintivas, mas deve, com um espírito revigorado, poder pautar sua vida, objetivamente, de acordo com valores universais e perenes.
O psicólogo, por seu lado, encontra dificuldades para liberar seu cliente, que acaba preferindo deixar seu tempo e dinheiro com o analista, numa dependência medrosa, ao invés de arriscar-se a enfrentar os conflitos da vida, amparado por uma disposição do espírito, que, infelizmente, não experimenta.
Embora compreendendo que a vida foi feita não para ser analisada, mas vivida, o paciente dificilmente encontra em seu espírito forças para o afastamento libertador da analise.
Embora a análise, em si, seja terapêutica, é necessário que seja limitada pelo revigoramento do espírito, que assume primordialmente, na fase final, a cura do psiquismo afetado.
Viktor Frankl, fundador da escola logoterápica, insiste na necessidade de se ativar, nos pacientes, a consciência de se dar um sentido à existência. Este sentido é dado, naturalmente, pela fé, religiosa ou não, pois a fé transmite certeza e dá sentido, reenquadra os valores em sua justa dimensão, relativiza o que é relativo, dá foros de primazia ao que é absolutamente importante e infunde grandeza interior à pessoa.
Uma pessoa, normalmente, se sente infeliz quando não tem mais nada e ninguém em quem acreditar, firme e absolutamente. Ela, então, entra em pânico a cada nova tentativa fracassada. Mas a raiz deste pânico não está no insucesso que experimenta, mas na fraqueza do espírito que não a sustenta devidamente. O seu espírito anêmico não é rijo suficientemente para arrostar a cara feia dos acontecimentos. Tal pessoa pode, até, tentar mais de uma vez a sorte no tabuleiro da vida, mas, finalmente, acabará por encolher-se em si mesma, condenando a vida como imprestável.
Não é a vida que é imprestável, mas o neurótico é que não está preparado para vivê-la. A fé, atividade do espírito, quanto mais forte e consistente for, tanto mais servirá de apoio necessário para a alegria de viver, coisa que o neurótico, em geral, não chega a conhecer.
enviada por Maria Miranda
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